Não importa a pergunta, a resposta é o amor

Por Leonardo Gontijo

Para os geneticistas, trata-se de uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais no par de cromossomos 21, chamada de Síndrome de Down.

Para o irmão apaixonado, é uma forma de aprender a conviver e a respeitar as diferenças. Uma possibilidade de perceber a diversidade humana. Uma maneira de descobrir que a maior tecnologia existente — e a mais potente! — são as pessoas e suas singularidades. É uma forma de ampliar a valorização da vida, de expandir horizontes, de expandir olhares, de expandir perspectivas. Um caminho que nos direciona a olhar mais para dentro em busca de essências e de atitudes, em busca de ser, e não apenas de ter. Uma nova e mais diversa forma de viver e de conviver com a humanidade. Uma forma de aprendermos sobre a nossa real dimensão, isto é, que somos muito pequenos no jogo da vida. E que diagnóstico não é destino. Que incluir é, acima de tudo, legitimar cada pessoa como ela é, e não como gostaríamos que ela fosse. Que incluir é, acima de tudo, amar. Que contar cada momento junto é mais importante do que contar cromossomos. Que todos (sim, todos!) podem aprender e também ensinar. E que, principalmente, a síndrome de Down — por intermédio do meu irmão — me ensinou que, não importa a pergunta, a resposta é sempre o amor.

A síndrome de Down é apenas uma das características da humanidade, característica que não define um ser humano. Ela me fez mudar de perspectiva, me fez enxergar situações e pontos de vista que, até então, na minha bolha social, eu não enxergava. Por meio dela, sigo aprendendo a enxergar, cada vez mais, pessoas, e não estereótipos, alterações genéticas ou opções de vida, quaisquer que sejam. A compreender que não podemos hierarquizar vidas, nem deixar para trás nenhum ser humano por questões genéticas. Para mim, ela é, acima de tudo, um chamamento para que nós possamos valorizar cada vida, porque, afinal, toda vida importa.

>> Leonardo é irmão do Eduardo (também conhecido como Dudu do Cavaco), músico com síndrome de Down. Em 2011, publicou o livro Mano Down – Relatos de um irmão apaixonado e, desde então, passou a se dedicar a “dar visibilidade e a criar oportunidades para que as pessoas com síndrome de Down possam ser incluídas na sociedade e ser reconhecidas por suas capacidades”. É também fundador do Instituto Mano Down (Instagram: @institutomanodown). Para o Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março), ele aceitou nosso convite para compartilhar suas reflexões.