Assadura em bebê: como prevenir e tratar 

Quem cuida de um bebê sabe que as assaduras provocam um enorme desconforto nos pequenos. E elas são bastante comuns. Um documento produzido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (para servir como fonte de consulta e embasar os pediatras) confirma que as dermatites de fraldas, popularmente conhecidas como assaduras, afetam mais de 25% dos bebês, sendo a forma mais frequente de dermatite de contato entre eles. 

O uso de fraldas pode favorecer o surgimento das assaduras, mas há, sim, formas de evitá-las e tratá-las. Conversamos com a pediatra Sayonara Figueiredo de Faria CRM/MG 22873, médica formada pela UFMG, com residência na FHEMIG e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, para entender melhor sobre o assunto: saber o que causa a assadura, os tipos, como prevenir e tratar. 

O que causa assadura no bebê? 

A assadura é uma inflamação da pele na região das fraldas, causada pela irritação relacionada à exposição à urina e às fezes, pelo efeito abrasivo da limpeza mais vigorosa e agravada pelo ambiente úmido e oclusivo criado pelo uso das fraldas, que dificulta a pele de respirar. Além disso, a pele do bebê é delicada e sensível — mais frágil que a do adulto, 30% mais fina —, tornando-a mais suscetível à penetração de irritantes, alérgenos e infecções, explica Sayonara. 

Tipos de assaduras em bebês

A gravidade das assaduras tem a ver com o grau e a extensão do processo inflamatório e irritativo da pele.

  • Leves ou por fricção: as assaduras são superficiais, a pele fica avermelhada e com aspecto brilhante, por vezes apresenta descamação. As lesões costumam se localizar nas regiões cobertas pelas fraldas, poupando as dobras.
  • Moderadas: a pele já apresenta vermelhidão mais marcante, além de feridas que se tornam violáceas e liquenificadas (como bolhas d’água).
  • Severas ou ulcerativas: é a forma mais grave de dermatite de fraldas (conhecida como dermatite amoniacal), em que surgem grandes feridas que pioram a cada dia. Geralmente, inicia-se entre o primeiro e o segundo mês de vida e, se não for devidamente controlada, pode recorrer até que a criança não use mais fraldas.

Como prevenir? 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a prevenção é o método mais eficiente no combate à assadura. Isto pode ser feito basicamente com a troca de fraldas mais frequente, com uma limpeza suave, com exposição da pele ao ar e aplicação de cremes que criam uma barreira protetora que impede a ação das enzimas sobre a pele e limita a fricção. 

Essas medidas devem ser adotadas em todos os bebês que usam fralda, tanto as de pano quanto as descartáveis. As fraldas descartáveis costumam ter um poder maior de absorção, contribuindo para evitar danos à pele do bebê. Com as de pano, além de tomar os cuidados recomendados pelo fabricante, é necessário trocá-las (considerando os paninhos internos) com a mesma frequência da fralda descartável. 

O que é bom para assadura de bebê?

Alguns hábitos devem entrar de vez na rotina de cuidados, pois eles ajudam a reduzir e evitar a irritação na pele dos pequenos. O foco é deixar a pele do bebê respirar e mantê-la sequinha.

  • Não demore a trocar a fralda quando houver fezes ou urina.
  • Durante a limpeza, não esfregue a pele do bebê, nem remova completamente a camada de creme de barreira quando nela não houver resíduos.
  • Após a limpeza, seque a área suavemente e deixe-a exposta ao ar (sem fralda) por um tempo.
  • Se necessário, reaplique, a cada troca, a pomada.
  • Nunca use fraldas apertadas.

Assadura em bebê: como tratar? 

A médica recomenda o uso de cremes de barreira. “Os cremes de barreira são usados para prevenir e tratar a assadura e devem formar uma película semipermeável sobre a pele sã ou acometida, possibilitando isolá-la dos agentes irritantes e permitindo a autorregeneração. Além de criar uma película eficiente, os cremes de barreira devem ser de fácil limpeza, com mínima fricção sobre a delicada pele do bebê. A recomendação é usar a cada troca de fralda. Compostos à base de óxido de zinco e petrolato são bons exemplos”, afirma Sayonara.

Vale lembrar que os cremes de barreira devem ser utilizados sempre de forma a prevenir a dermatite de fraldas e não apenas quando já houver sinais de irritação local. Já os cremes contendo medicamentos não devem ser usados de rotina e somente após uma indicação médica.

Como tratar assadura de bebê causada por diarreia?

É preciso usar creme de barreira e ter muito cuidado e delicadeza para a limpeza da área, com uso de sabonetes líquidos, de pH próximo a 5,5 (ácidos) ou syndets (detergentes sintéticos). Sayonara chama atenção que “apenas água, às vezes, é incapaz de remover toda a sujeira e resíduos. Lenços umedecidos usados para a limpeza podem ser uma alternativa, atentando-se para que propiciem um pH da pele levemente ácido e estejam livres de substâncias potencialmente irritantes (incluindo álcool, fragrâncias, sabão e detergentes agressivos etc.)”.

E as receitas caseiras (como talco ou amido de milho) fazem efeito?

De acordo com a médica, elas não são recomendadas. Ela explica que a dispersão do pó pelo ar pode acarretar a sua inalação, com comprometimento da respiração dos bebês. Além disso, no local das fraldas, estes recursos são pouco eficientes em criar uma barreira, falhando em formar uma película semipermeável sobre a pele (como fazem os cremes de barreira), não produzindo uma proteção eficiente. Ao acumular nas dobrinhas, podem ainda criar um ambiente favorável ao crescimento de fungos e bactérias, propiciando o aparecimento de infecções secundárias.

Quando levar ao médico?

Quando as medidas recomendadas como troca frequente de fraldas, limpeza suave e exposição da pele ao ar não resultam em melhora ou, ao contrário, as lesões progridem e pioram, é hora de entrar em contato com o médico.