A fundamental Vitamina D

 

Hoje em dia, não é raro alguém perceber que anda com níveis baixos de vitamina D, componente fundamental ao bom funcionamento do organismo e cujo principal meio para obtê-la se dá pela exposição ao sol. Se a situação já não era incomum, estar distante de um banho de sol tornou-se uma rotina na vida de mais e mais pessoas, especialmente com os imperativos do distanciamento social, do #FiqueEmCasaSePuder, dos novos arranjos laborais (home office). Para saber um pouco mais sobre a importância da vitamina D e seus efeitos no corpo, conversamos com o nosso consultor da TEM+ Araujo, o médico Jorge Menezes, mestre em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo.

 

Como obtemos a vitamina D? As formas alternativas, como suplementos, são também válidas?

A principal fonte dessa vitamina é sua produção na pele a partir da exposição aos raios solares. Por isso é tão importante se expor diariamente ao sol por cerca de meia hora sem o uso de protetor solar. Outra obtenção é feita por meio de fontes alimentares de vitamina D, que são as carnes, os frutos do mar, alguns peixes (como salmão e sardinha) e demais alimentos como ovo, leite, fígado de boi, queijos e cogumelos. Além desse projeto alimentar e da exposição à luz solar, nos dias atuais presenciamos o uso de suplementos vitamínicos, que são também válidos e bastante satisfatórios para corrigir essa deficiência generalizada na população de maneira geral. A suplementação de vitamina D é a base do tratamento, ou seja, trata-se de uma provisão dessa vitamina com o objetivo de manter seus níveis adequados no sangue e, assim, garantir o bom funcionamento do organismo. Sabemos que sua reposição diária obtida por meio de suplementos é de 400 unidades internacionais para crianças menores de 1 ano, 600 para crianças igual ou maior de 1 ano e entre 1.500 e 2.000 para adultos. Suplementação acompanhada, é claro, de uma dieta equilibrada e sob a supervisão de um médico ou profissional especializado.

 

Como ela funciona em nosso organismo?

A vitamina D, como a conhecemos, é assim chamada pois possui esta nomenclatura já consolidada. Ela é, na verdade, um hormônio produzido pelo próprio corpo a partir de alimentos ricos em pré-vitamínicos que, uma vez em circulação corporal, passam pela região cutânea, interagem com os raios solares e, então, formam a vitamina D. Sua função costuma ser mais diagnosticada quando há uma falta dela. Isso é bastante notório, por exemplo, com a pouca impregnação dos ossos devido à falta de vitamina D, podendo gerar osteoporose com fraturas expostas e quedas frequentes por perda da força muscular. A diminuição da vitamina D no corpo tem também influência no controle dos batimentos cardíacos, podendo comprometer o bombeamento sanguíneo para o corpo todo. Ela atua também no controle da diabetes, entre outros.

 

Atualmente, qual o quadro geral a respeito dos níveis de vitamina D?

A deficiência de vitamina D é uma deficiência nutricional extremamente comum tanto em crianças quanto em adultos. Em estudos científicos recentes, realizados nos Estados Unidos, detectou-se que mais de 40% da população adulta com mais de 50 anos tem deficiência de vitamina D. Estima-se também que, no mundo todo, 40% das crianças e adultos tenha deficiência de vitamina D e 60% tenha algum tipo de insuficiência dela, manifestada em sintomas típicos dessa alteração orgânica. Atualmente, sabe-se que sua deficiência aumenta o risco de diversas doenças crônicas, como cânceres, doenças autoimunes, doenças infecciosas (incluindo as do trato respiratório superior e tuberculose), diabetes tipo 2, cardiopatias, hipertensão arterial, disfunções neurocognitivas e osteoartrite. Um outro estudo realizado especificamente no Canadá mostrou que o risco de desenvolver câncer de mama foi reduzido em até 60% em mulheres expostas à luz solar em idade adolescente e adulto jovem.

 

E no caso das gestantes, por que é especialmente importante prestar atenção em seus níveis de vitamina D?

Nas grávidas, é fundamental a observância dos níveis corporais de vitamina D, uma vez que praticamente 50% delas apresentam alguma deficiência em graus variados durante a gestação. Aumento da hipertensão arterial e o surgimento da diabetes gestacional são condições bastante conhecidas e que, justificadamente, costumam causar alerta, mas a deficiência da vitamina D é outra condição que também deve chamar atenção. Ela pode acarretar o comprometimento do feto (por exemplo, com seu nascimento com baixo peso), o aumento da necessidade de um parto cesariano e uma condição associada à pré-eclâmpsia (níveis altos de pressão arterial durante a gestação). Além disso, observa-se que a suplementação de vitamina D no terceiro trimestre apresenta uma melhora no crescimento linear da criança no pós-parto e que há uma melhor lactação quando a mulher possui níveis normais de vitamina D.

 

Você mencionou anteriormente a necessidade de se tomar sol por um curto período sem protetor solar. Como fazê-lo preservando a saúde da pele?

Antes, gostaria de reforçar que tomar sol é fundamental para a produção de vitamina D corpórea, assim como é importante fazê-lo com uma prática associada de exercícios físicos, de uma dieta equilibrada e do cultivo de uma vida com menos estresse. Quando for se expor ao sol, é preciso sempre um cuidado especial, uma vez que, ao mesmo tempo em que estamos produzindo vitamina D, podemos comprometer a integridade e a arquitetura cutânea corporal. Para a exposição solar por cerca de meia hora, como mencionei anteriormente, é preciso que a pele não tenha nenhum tipo de filtro solar, maquiagem ou algo que crie uma barreira. Durante esse breve período, a incidência solar deve ocorrer diretamente na pele. Vale lembrar que moramos em um país equatorial, de alta incidência solar, capaz de provocar envelhecimento precoce da pele e lesões cutâneas malignas. É preciso estar atento aos horários de exposição e o ideal é evitar a exposição entre 9h e 16h, principalmente nas estações fora do inverno e no ápice do verão. Após essa meia hora de exposição, é fundamental aplicar um protetor solar para o seu tipo de pele e fazer uso de chapéus e afins, ou seja, de barreiras químicas e físicas de proteção à pele.