Como lidar com nossos medos

“Antônio Roberto, tenho muito medo: medo de viajar, de ser traída, de multidão… enfim, tenho medo de tudo. Isso me atrasa na vida e me faz sofrer. Agora, estou em pânico com esse vírus que invadiu o mundo. Muita gente deve estar com muito medo”.

Maria Clara, de Belo Horizonte.

   Para alcançarmos a felicidade, para termos uma vida tranquila, para crescermos em nossos objetivos e conseguir bons relacionamentos, é fundamental compreender e trabalhar o nosso principal inimigo emocional: O MEDO.

Há muitos e muitos anos atrás, a PESTE chegou a um país europeu e procurou o rei daquele país para negociar a sua presença ali. O rei aceitou fazer um acordo com a peste e decidiram que a PESTE mataria apenas 1.000 pessoas e depois ela iria embora.

O tempo passou e morreram de peste mais de 50.000 pessoas.

O rei mandou chamar a peste e, de maneira grosseira, falou: “Você me prometeu matar somente 1.000 pessoas e já morreram mais de 50.000. Você foi desleal e me traiu”.

A peste respondeu: “Engano, digno monarca, na verdade cumpri o combinado e matei somente 1.000 pessoas. Os outros morreram de MEDO”.

Em tempos de catástrofe, é de fundamental importância refletirmos sobre o SENTIMENTO DO MEDO.

Pior do que o coronavírus é o medo que se espalha ardilosamente por todos os recantos da convivência humana. O corona mata fisicamente, o medo mata emocionalmente.

Qual o problema do medo?

Ele paralisa sua vida. Paralisa você.

O medo de morrer tira a vontade de viver.

O primeiro mecanismo, quando a pessoa está com medo, é a NEGAÇÃO.

Negar o medo ou a gravidade mundial da pandemia é bancar, de maneira infantil, o HERÓI. A pandemia não é uma gripezinha. É gravíssima. E é natural termos medo de algo concreto que está e continuará matando.

Nossa obrigação no momento é transformar nossos medos em VONTADE DE AJUDAR. Se amarmos a nós mesmos, fizermos o distanciamento social, já estaremos AJUDANDO MUITO e testemunhando o amor à humanidade.

Que se dane esta economia que não deu conta de distribuir renda, saúde, escola e outros benefícios.

A economia para poucos foi pega de calças curtas pela COVID-19. Correr atrás do fracasso econômico, agora, é suicídio.

A prioridade agora é outra: tentar sanar a desigualdade cultivada por anos e anos e que agora ameaça a todos indistintamente.

Não se iludam: a falta de saneamento básico, de casas arejadas, de alimentação, de saúde, etc., das camadas pobres ameaça a todos. Agora, estamos no mesmo barco. Escancarada a semelhança humana.

Também não vamos deixar o medo nos transformar em vítimas. Ao invés de lamentarmos a escuridão do momento, é melhor cada um acender uma vela, por menor que seja.

É hora de praticarmos o SER FELIZ, APESAR DE…

O medo paralisa.

O medo nos submete,

O medo fecha o coração para o amor

Combater o medo não é pular no abismo, é solidarizar, é operacionalizar o AMOR neste momento de crise.

Tudo passa.

Para isso, porém, siga seu coração e não embarque nos falsos profetas.

 E a semente, triste, sofrendo, apenas disse:

– Só preciso de tempo e amor para virar PRIMAVERA.  

Antônio Roberto, Terapeuta do Comportamento.