Dormir bem

 

Dormir bem é uma regra de ouro para o bem viver. É durante o sono, por exemplo, que o organismo faz ajustes essenciais para o bom funcionamento de suas defesas naturais, mantendo o sistema imunológico a todo vapor, bem como libera hormônios para a queima de gorduras — e, por isso, é mais difícil manter o peso corpóreo quando se tem noites mal dormidas. Mas, afinal, o que significa uma boa noite de sono? Como dormir bem? Para responder estas e outras dúvidas, conversamos com a fisioterapeuta Renata Aurichio (CREFITO 4-124531/F), que é membro da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABS) e atua há mais de uma década com os Distúrbios Respiratórios do Sono na área da Fisioterapia. Renata é também Consultora do Sono Materno-Infantil pelo International Maternity & Parenting Institute. É possível acompanhá-la no Instagram: @fisio.renataaurichio

 

O que caracteriza um sono de qualidade? Há um número mínimo de horas para isso?

Caracterizamos um sono de qualidade quando sentimos um despertar revigorante, sem cansaço ou aquela necessidade de prolongar as horas na cama. É importante ressaltar que a qualidade do sono não está necessariamente associada à quantidade de horas dormidas. Antes de sair impondo regras de quanto se deve dormir por noite, precisamos conhecer e respeitar o relógio biológico de cada um, afinal os hormônios funcionam de acordo com o ritmo circadiano de cada indivíduo.

 

É verdade que o ambiente e os hábitos antes de ir para a cama impactam diretamente o sono? 

De fato, é verdade. Um ambiente exposto à luz artificial no período noturno interfere diretamente nas funções da glândula pineal, que fica dentro do cérebro, e é responsável pela produção da melatonina. Um dos principais papéis deste hormônio é induzir o organismo ao sono profundo e muitas pessoas não entendem o quanto o ambiente desempenha um papel importante ao sono. Muitas vezes, a baixa duração do sono com qualidade se deve às escolhas que as pessoas fazem durante o dia e a noite. Deixo como sugestão manter o ambiente mais frio, ideal entre 15 a 20 graus; buscar o máximo de isolamento acústico; abolir televisão, celular ou tablets do ambiente de descanso para não sabotar a latência do sono e aprimorar as práticas de relaxamento, desacelerando a mente e o corpo.

 

Qual a relação entre sono, alimentação e atividade física? 

Estes são três elementos fundamentais que constituem um tripé para uma boa qualidade de vida e, quando mantidos em equilíbrio, proporcionam saúde física, mental e emocional. O fato de as pessoas manterem uma boa alimentação, mas não se exercitarem, resulta (na grande maioria) em um sono sem qualidade. Isso porque o exercício físico libera a endorfina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e que auxilia na promoção de um “cansaço natural” ao fim do dia, preparando para um sono mais reparador. Em contrapartida, pessoas sedentárias levam mais tempo para dormir, com mais probabilidade diagnóstica de insônia ou transtornos respiratórios do sono.

 

O ronco costuma causar um grande desconforto, mas vai muito além do “ruído” característico. Do que se trata este distúrbio? Quais seus principais sintomas e consequências?

Na realidade, o ronco é um som decorrente da passagem de ar pela garganta durante o sono e, como o espaço pode estar estreito ou mesmo colabado, este acaba sendo um desconforto social e um sinal de alerta para a saúde cardiovascular. Classificamos os indivíduos roncadores como potenciais grupos de risco para a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, uma doença grave que apresenta, como principais sintomas, a sonolência durante o dia, a alteração da memória e da concentração, a fadiga matinal e desconfortos gástricos, além de diminuição da libido e disfunção erétil. Se não avaliada corretamente e não tratada com os possíveis desfechos terapêuticos (CPAP, aparelho intraoral, abordagens cirúrgicas ou terapias fonoaudiológicas), a Apneia do Sono aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doenças potencialmente letais e, ainda, aumenta o risco de hipertensão, insuficiência e arritmia cardíaca, derrame e diabetes.

 

*Confira também o vídeo com a Dra. Renata Aurichio no nosso Instagram (@drogariaaraujo), em que ela fala sobre a importância de se identificar se um sono foi reparador, ou seja, se ele foi suficiente para enfrentar as tarefas do dia a dia.