Manchas na pele: tipos, causas e como cuidar

Qualquer mudança na cor habitual da pele merece atenção. O aparecimento de manchas pode ser algo simples e passageiro, mas também pode indicar a presença de algo mais sério, que precise de tratamento. O médico Jorge Menezes – CRM/MG 19854 (@esthetic.care), mestre em cirurgia plástica pela Universidade Federal de São Paulo, nos ajuda a esclarecer dúvidas sobre as possíveis causas e os diferentes tipos de manchas na pele. E vale lembrar que, seja qual for a mancha, é importante que haja sempre o olhar de um médico especialista para uma avaliação criteriosa.

O que são manchas na pele?

Manchas são a manifestação de alguma alteração na pele. Elas podem ocorrer por um processo interno que se exterioriza, manifestando-se na pele (mais incomum), ou por alguma agressão externa sofrida, como picada de inseto ou atrito.

Tipos de manchas mais comuns

1. Mancha vermelha na pele:

É um sinal de que a pele está sendo agredida e responde com essa vermelhidão. Segundo o médico, as manchas vermelhas são as lesões dermatológicas mais recorrentes: a gama é enorme e o diagnóstico é feito por exclusão. É comum elas surgirem por alergia a algum produto ou material — podem se manifestar no couro cabeludo pelo uso de tinturas e fixadores; na face, por ácidos ou cremes mais abrasivos; no pescoço pelo uso de bijuterias, entre outros.

1.1 Mancha vermelha na pele que coça:

Existem diferentes intercorrências que podem causar manchas vermelhas na pele, como urticária, picadas de mosquito, dermatite atópica e de contato, micoses e sarnas.

2. Mancha branca na pele:

Há três origens, explica o médico: é possível nascer com elas (albinismo), elas podem ser adquiridas sem serem doenças contagiosas (como é o caso do vitiligo) ou surgirem como doenças da pele que possuem tratamento via oral ou tópico. “Ela pode ser causada por uma grave desnutrição por deficiência de proteínas (kwashiorkor), por alterações hormonais (como hipotiroidismo), entre outros. Por isso, é fundamental uma avaliação médica”, reforça o especialista. 

3. Manchas escuras na pele:

Elas costumam estar associadas a doenças sistêmicas ou a alterações hormonais (como é o caso dos melasmas). Podem ocorrer também pela exposição solar desprotegida ou, por exemplo, pelo contato da pele com limão.

4. Manchas roxas na pele:

Em sua grande maioria, são causadas por traumatismos externos na pele (como contusões ou cirurgias) e em que os vasos sanguíneos da pele se rompem, formando uma área arroxeada. 

Quais as principais doenças que causam manchas na pele?

Acne:

A espinha tem seu nome mais popularmente conhecido, mas a doença de pele é chamada de acne. O processo inflamatório decorrente das bactérias da pele que penetram nas glândulas sebáceas pode deixar cicatrizes e manchas (pigmentação pós-inflamatória). 

Dermatite:

Em algumas partes do corpo, especialmente entre a parte interna do  braço e parte lateral do tórax e na parte interna das coxas, pode ocorrer a dermatite de contato, exatamente pelo excesso de contato na pele nessas regiões, levando a um escurecimento da pele, muitas vezes com uma aparência ressecada, descamativa e com muita coceira. O problema pode surgir em todas as idades. Já a dermatite atópica é uma doença crônica de pele mais comum e possui associação genética. Além disso, em geral há quadros de rinite e asma associados.

Melasma:

Alteração da pele com manchas escuras, muito caracterizada por uma predisposição genética e alterações hormonais, e com ocorrência maior em mulheres gestantes. “Felizmente, hoje há uma gama enorme de tratamentos”, comemora Jorge Menezes. 

Melanose solar:

Manchas escuras e claras, desencadeadas pelo acúmulo de exposição solar desprotegida. São também chamadas de “manchas de idade” por aparecerem em pessoas com idade mais avançada em função do longo tempo de exposição.

Pano branco:

É uma micose cutânea (pitiríase versicolor) que precisa de tratamento tópico local. Ela vem de um fungo que ataca a pele e está presente principalmente na sua camada mais superficial. Ela altera a arquitetura da pele e é de fácil tratamento, explica o médico.

A Covid-19 causa mancha na pele? 

Segundo Jorge Menezes, há alguns casos relatados, mas não são comuns e, uma vez que a doença é tratada, cessa o ciclo do agente causador das manchas. “O Covid-19 é um pan-clínico, compromete vários órgãos e pode caminhar com manchas, mas não é frequente e é de resolução espontânea”, ele explica.

Estresse causa manchas na pele? 

Sim, especialmente porque pode haver um desarranjo estrutural de todos os hormônios. Jorge Menezes ressalta que há progressões corporais, ou seja, o paciente pode, por exemplo, se coçar muito por ansiedade e estresse, provocando manchas na pele. 

Como tratar as manchas de pele? 

Além de um tratamento customizado, é possível aliviar os sintomas com uma rotina de skincare adequada, principalmente na região facial, afirma o médico. Ele ressalta que um tratamento anti-manchas deve ser persistente e, geralmente, inclui aplicar um produto ao menos duas vezes ao dia, depois de uma higiene local e conforme indicação especializada. “Uma rotina de cuidados (skincare) é a melhor receita, pois atua na prevenção. A ocorrência de manchas diminui quando existe esse cuidado permanente”, afirma.

1. Higienização da pele:

A limpeza é o primeiro passo e deve ser feita com produtos adequados a cada tipo de cada pele.

2. Hidratação da pele:

Hidratantes (geralmente dermocosméticos) que contenham substâncias que acalmam a pele, como camomila, azuleno, água termal. Eles podem ajudar também a amenizar alergias e agressões externas à pele.

3. Usar protetor solar:

O protetor solar é imprescindível e deve ser aplicado diariamente, mesmo em dias nublados. É ele que garante a proteção da pele contra os raios solares causadores de manchas e cânceres, além de prevenir o envelhecimento precoce.

4. Consulta com dermatologista:

Uma consulta é recomendada em qualquer idade. Entretanto, de acordo com o médico, “a partir dos 30 anos, todas as pessoas de qualquer tipo de pele devem, necessariamente, fazer uma consulta com um dermatologista. É prevenção e saúde”.